Análise n.º 2 · Outubro de 2026 · Nelson Viegas

Dor ou visão

Porque é que as empresas adotam uma solução nova, e porque é que tantas ficam onde estão.

Juntámos a investigação mais sólida sobre a adoção de produtos, serviços e soluções entre empresas. Há experiências de campo com fábricas, meta-análises, estatísticas oficiais da Europa, dos Estados Unidos, da Ásia e do Brasil, e inquéritos a dezenas de milhares de compradores. A dor e a visão são os dois motores da mudança. Nenhum deles chega se o cliente não tiver confiança para mudar.

5 em 35

fábricas usavam a ferramenta nova 15 meses depois de a receberem de graça, apesar de ela poupar matéria-prima.

Atkin et al. 2017, experiência de campo no Paquistão 1
60%

das empresas europeias que não inovaram dizem que não havia necessidade. Só 12,5% apontam falta de recursos.

Eurostat, CIS 2022, cálculo nosso 2
40–60%

dos negócios qualificados perdem-se porque o cliente não decide. Não perde para um concorrente.

Dixon e McKenna 2022, 2,5 milhões de chamadas, fornecedor 3
13

pessoas envolvidas, em média, numa decisão de compra entre empresas.

Forrester 2024, mais de 16.000 compradores 4

59 fontes · 7 capítulos · 1 matriz · 4 perfis de cliente · leitura de cerca de 35 minutos

Uma nota antes de começar

Nelson Viegas, de fato azul e camisa azul-clara, num escritório com luz natural

Na primeira análise perguntei porque é que os vendedores não vendem. A resposta mais forte estava do lado do comprador, que muitas vezes não decide. Esta análise vai a essa pergunta: o que faz uma empresa mudar?

Ao longo de vinte anos vi dois tipos de cliente comprar. Uns compram porque lhes dói. Outros compram porque querem estar à frente. Quis saber se a investigação confirma esta divisão e o que acrescenta. Confirma, e acrescenta uma coisa que custa ouvir. O adversário mais frequente de quem vende uma novidade é a vontade de ficar como se está.

Desta vez fiz uma mudança. Em vez de remeter para PDFs difíceis de ler, cada estudo importante vem resumido aqui, numa ficha. Diz quem mediu, a quantos, como, quando e se quem mediu vende a solução. Pode confiar nos números sem ter de abrir as fontes, e abri-las se quiser ir mais fundo.

Nelson ViegasFundador da Superior Training Technology

Resumo

Oito conclusões

Pela ordem dos capítulos. Cada uma leva à prova.

  1. 01 · Motores

    A dor e a folga são dois motores diferentes, e ambos estão medidos.

    Empresas abaixo dos seus objetivos procuram soluções. Empresas com recursos de sobra experimentam.

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  2. 02 · Travão

    Uma perda pesa mais do dobro de um ganho igual.

    Quem vende sobrevaloriza a novidade e quem compra sobrevaloriza o que já tem. O desfasamento pode chegar a 9 vezes.

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  3. 03 · Travão

    O maior obstáculo declarado é não sentir necessidade.

    Seis em cada dez empresas europeias que não inovaram dizem que não precisavam.

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  4. 04 · Tipo de compra

    Uma compra nova é outro jogo.

    Mais pessoas, mais informação e mais tempo do que numa recompra. A rentabilidade e o investimento ditam a velocidade.

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  5. 05 · Quem decide

    Decide um grupo, e cada pessoa defende-se a si própria.

    Com uma pessoa, 81% compram. Com duas, 55%. O valor pessoal pesa cerca do dobro do valor para o negócio.

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  6. 06 · O que pega

    Uma solução espalha-se pelo exemplo de quem está ao lado.

    Um vizinho com a solução instalada valeu o dobro de um vídeo informativo.

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  7. 07 · Depois da compra

    Comprar não é adotar.

    Uma ferramenta gratuita e rentável ficou na gaveta porque prejudicava quem a tinha de usar.

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  8. 08 · Geografia

    Em todo o lado, as grandes empresas adotam primeiro.

    Na Europa, 55% das grandes usam IA, contra 17% das pequenas. O padrão repete-se nos EUA, na Coreia e em Singapura.

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A espinha da análise

Dois eixos, quatro clientes

A investigação descreve dois motores de mudança: a dor de estar abaixo do que se queria e a folga de ter recursos para experimentar. Cruzados, dão quatro perfis de cliente, e cada um compra de maneira diferente. Cada capítulo volta a esta matriz.

Dor alta · folga baixa

Urgente

Está a perder e sabe-o. Não tem margem para errar.

Compra um remédio rápido, barato e já provado.

Dor alta · folga alta

Transformador

Tem um problema sério e meios para o resolver a fundo.

Compra uma solução ampla, com um plano de mudança.

Dor baixa · folga baixa

Acomodado

Não sente necessidade e não tem meios para procurar.

Não compra enquanto ninguém lhe mostrar o custo de ficar.

Dor baixa · folga alta

Explorador

Vai bem e tem recursos para olhar para a frente.

Compra o futuro, quase sempre começando por um piloto.

Folga quer dizer recursos disponíveis: orçamento fora do ciclo, pessoas com tempo, margem financeira e apetite da liderança. Dor quer dizer o problema sentido e reconhecido, não o problema que o fornecedor vê.

De onde vem a matriz

A matriz é síntese nossa. Não existe com este desenho na literatura, mas cada eixo assenta em investigação publicada.

O eixo vertical vem da teoria comportamental da empresa. Uma organização procura soluções novas quando o desempenho cai abaixo da sua aspiração. Henrich Greve chamou-lhe pesquisa por problema e mediu-a em estaleiros navais 5.

O eixo horizontal vem do mesmo trabalho. As empresas com recursos de sobra também procuram, mas por outra razão. Greve chamou-lhe pesquisa por folga.

A separação entre visionários e pragmáticos de Geoffrey Moore é a versão comercial da mesma ideia 8. Os visionários compram uma visão. Os pragmáticos só compram com uma razão forte, que quase sempre é uma dor, e com referências de pares.

Dois avisos

Um cliente não fica parado num quadrante. Uma crise empurra o Explorador para Transformador. Um corte de orçamento empurra o Transformador para Urgente. A matriz descreve o momento, não a empresa.

A dor que conta é a percebida. Um Acomodado pode estar a perder muito dinheiro sem o saber. Para efeitos de compra, enquanto não o souber, continua Acomodado.

Os quatro perfis de cliente
PerfilComo o reconheceO que valorizaComo se vendeO erro mais comum
UrgenteNúmeros a falhar, pressão de um cliente ou regulador, pressa nas reuniões.Prova, prazo curto, risco baixo, preço.Quantificar o custo de esperar. Oferecer um começo pequeno e garantido. Mostrar um caso igual.Vender a solução completa a quem só tem orçamento para estancar a perda.
TransformadorProblema reconhecido pela liderança, orçamento aprovado, muita gente nas reuniões.Um plano de mudança, consenso interno, um parceiro para anos.Construir o caso de negócio com o grupo de compra. Planear a adoção, não só a entrega.Convencer o decisor e esquecer as outras doze pessoas.
ExploradorEmpresa grande ou com boa margem, equipa de inovação, perguntas sobre o futuro.Novidade, aprendizagem, ser o primeiro do setor.Propor um piloto com critério de sucesso e um caminho até à escala.Ficar preso num piloto que nunca passa a contrato.
AcomodadoSem queixas, sem orçamento, "está tudo bem assim".Estabilidade e não ter trabalho.Mostrar com dados um custo que ele não está a ver. Manter presença até surgir um gatilho.Gastar meses de vendedor a empurrar quem não sente necessidade.
1

Capítulo 1 · Os dois motores

Umas empresas mudam porque lhes dói, outras porque podem.

A divisão entre dor e visão está medida há décadas. A investigação acrescenta um terceiro motor, que se disfarça de dor: a pressão de clientes, reguladores e concorrentes.

55% vs 17%

das grandes empresas europeias usam IA, contra as pequenas. As médias ficam em 30%.

Eurostat 2025, empresas com 10 ou mais pessoas, Oficial 10
79% vs 42%

das grandes empresas portuguesas inovaram entre 2020 e 2022, contra as de 10 a 49 pessoas.

INE e DGEEC, CIS 2022, Oficial 11
16%

do mercado são inovadores e primeiros adotantes na curva clássica. Os outros 84% esperam por prova.

Rogers 2003, síntese da investigação em difusão, Académico 9

O motor da dor

A teoria comportamental da empresa, de Cyert e March, tem uma ideia simples no centro. Cada organização tem um nível de aspiração, aquilo que acha que devia estar a conseguir. Enquanto o desempenho fica acima dessa linha, ninguém procura nada de novo. Quando cai abaixo, começa a busca.

Henrich Greve testou esta ideia em empresas de construção naval 5. Mediu o investimento em investigação e o lançamento de inovações ao longo de vários anos. Quando o desempenho ficava abaixo da aspiração, os gestores investiam mais e aceitavam lançar mais novidades. Quando o desempenho era alto, investiam menos e lançavam menos.

As empresas que vão bem são as que menos procuram. É aí que o fornecedor de uma novidade tem mais dificuldade.

Andrew Van de Ven estudou durante anos a adoção de inovações em hospitais 6. A ação começava quando as pessoas atingiam um limiar de insatisfação. Pequenas melhorias graduais não chegavam. Era preciso um choque, interno ou externo, para alguém se mexer.

Para quem vende, isto tem uma consequência prática. Uma dor ligeira não move uma organização. A dor tem de passar um limiar, e o fornecedor pode ajudar a torná-la visível, mas não a inventa.

O motor da folga

No mesmo estudo, Greve encontrou um segundo caminho. Os estaleiros com recursos de sobra também investiam mais em investigação, mesmo sem problemas. É a pesquisa por folga. A empresa experimenta porque pode.

A folga tem um limite. Nitin Nohria e Ranjay Gulati estudaram 264 departamentos de duas multinacionais 7. A relação entre folga e inovação tinha a forma de um U invertido. Pouca folga matava a experimentação. Folga a mais também prejudicava, porque os projetos perdiam disciplina e ninguém os cortava.

É a descrição exata do risco do Explorador. Tem dinheiro para pilotos e lança vários. Muitos morrem por falta de critério, não por falta de mérito.

Os números da adoção por dimensão encaixam aqui. Em todas as fontes oficiais que consultámos, as grandes empresas adotam primeiro. Têm mais folga, mais especialistas e mais capacidade de absorver o risco de uma experiência falhada.

O terceiro motor: pressão de fora

Paul DiMaggio e Walter Powell descreveram em 1983 três forças que levam as organizações a adotar as mesmas práticas 12. A primeira é coerciva: um cliente, um regulador ou uma casa-mãe obriga. A segunda é mimética: perante a incerteza, copia-se quem parece estar a ter sucesso. A terceira é normativa: as profissões e as escolas espalham o que se considera boa prática. Os autores avisam que nada disto garante eficiência.

A difusão da certificação ISO 9000 é o melhor exemplo medido. Isin Guler, Mauro Guillén e John Macpherson acompanharam 85 países entre 1993 e 1998 13. Em 1993 havia cerca de 27 mil certificados em 48 países. No final de 1999 havia mais de 400 mil em 158. O que mais explicava a adoção num país eram as relações comerciais com países que já tinham muitos certificados. O Estado e as multinacionais estrangeiras também pesavam. O conhecimento técnico do país não pesava.

As empresas certificaram-se porque os clientes lhes pediam o certificado. A pressão de fora fabricou a dor.

Eric Abrahamson acrescentou o lado menos simpático 14. Há inovações que se espalham por moda e por necessidade de parecer moderno, e outras eficientes que são rejeitadas. A investigação em difusão tende a assumir que adotar é sempre bom. Abrahamson chamou a isso um enviesamento pró-inovação.

Quanto maior a empresa, mais adota

UE, usa IA, 2025Portugal, inovou, 2020–22
Adoção por dimensão da empresa Uso de IA na UE em 2025: pequenas 17%, médias 30,4%, grandes 55%. Empresas inovadoras em Portugal 2020 a 2022: 10 a 49 pessoas 41,5%, 50 a 249 57,7%, 250 ou mais 79,1%. 0%25%50%75%100% Pequenas10–49 17% 41,5% Médias50–249 30,4% 57,7% Grandes250+ 55% 79,1%
OficialEurostat, uso de pelo menos uma tecnologia de IA em 2025, fonte 10. INE e DGEEC, empresas com inovação de produto ou de processo em 2020–2022, fonte 11. São indicadores diferentes. O que se compara é a subida com a dimensão, que é igual nos dois.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgenteEstá a comprar porque falhou a aspiração. Fale da distância entre onde está e onde queria estar.
  • TransformadorTem as duas razões ao mesmo tempo. É o cliente mais valioso e o mais raro.
  • ExploradorCompra por folga. Ajude-o a ter a disciplina que Nohria e Gulati mostram faltar: critério para cortar e para escalar.
  • AcomodadoNão procura porque não sente falta. Muitas vezes só muda por pressão de fora, de um cliente, de um regulador ou de um concorrente.

O que fazer na próxima semana

  1. Pegue nas dez maiores oportunidades em aberto e classifique cada uma num dos quatro quadrantes.
  2. Para cada Urgente e Transformador, escreva numa linha qual é a aspiração que o cliente está a falhar, nas palavras dele.
  3. Para cada Explorador, combine com o cliente o que tem de acontecer no piloto para passar a contrato.
Atenção à leituraA curva de Rogers, com os seus 2,5%, 13,5%, 34%, 34% e 16%, é uma convenção estatística baseada na distribuição normal. Não é uma medição de nenhum mercado concreto. Use-a como ordem de grandeza.
2

Capítulo 2 · O travão

O concorrente mais forte é ficar como está.

Os dois motores existem, mas têm um travão pela frente. As pessoas e as empresas sobrevalorizam o que já têm, e esse peso explica grande parte das compras que nunca acontecem.

2,25×

pesa uma perda face a um ganho do mesmo valor, no valor mediano medido.

Tversky e Kahneman 1992, Académico 16
9×

de desfasamento entre o valor que o vendedor dá à novidade e o valor que o comprador dá ao que já tem.

Gourville 2006, Harvard Business Review, Ensaio 17
56 / 44

das não-decisões vêm do medo de errar, e 44% da preferência por ficar como está.

Dixon e McKenna 2022, por fonte secundária, Fornecedor 18

O enviesamento do status quo

Em 1988, William Samuelson e Richard Zeckhauser publicaram um estudo que deu nome a uma coisa que todos os vendedores conhecem 15. Fizeram experiências de decisão em que a mesma escolha era apresentada de duas formas. Numa, uma das opções aparecia como a situação atual. Na outra, todas as opções eram novas. Quando uma opção era o status quo, as pessoas escolhiam-na muito mais vezes.

Depois foram ver decisões reais. Analisaram as escolhas de planos de saúde e de reforma de professores universitários. O padrão repetia-se. As pessoas ficavam com o que tinham, mesmo quando as alternativas eram melhores.

Amos Tversky e Daniel Kahneman mediram o tamanho desse peso 16. Nas suas experiências, uma perda tinha um peso mediano 2,25 vezes maior do que um ganho igual. Na prática, uma aposta só era aceite se o ganho possível fosse mais do dobro da perda possível.

O efeito 9 vezes

John Gourville, da Harvard Business School, levou estas ideias para o lançamento de produtos novos 17. O raciocínio é este. O comprador sobrevaloriza o que já tem, cerca de três vezes. Quem desenvolveu a novidade sobrevaloriza o que criou, também cerca de três vezes. Multiplicado, o desfasamento entre os dois pode chegar a nove vezes.

Gourville cita uma experiência clássica de Jack Knetsch. Deu a umas pessoas uma caneca e a outras uma tablete de chocolate de valor parecido, e depois ofereceu a troca. Só 11% das que tinham a caneca a trocaram. Só 10% das que tinham o chocolate. Bastou terem o objeto há minutos.

Para o cliente, a sua solução não compete com a do concorrente. Compete com uma coisa que ele já tem, que conhece e que não lhe exige nada.

A consequência para quem vende é dura. Uma solução 20% melhor parece-lhe uma vitória clara. Para quem compra, pode nem chegar ao ponto em que vale a pena mudar.

Indecisão não é o mesmo que preferir o que existe

Matt Dixon e Ted McKenna analisaram cerca de 2,5 milhões de chamadas de venda gravadas 3. Concluíram que 40 a 60% dos negócios qualificados se perdem porque o cliente não decide. Separaram duas causas diferentes 18.

Em 44% dos casos o cliente preferia ficar como estava. Não estava convencido de que valia a pena mudar. Em 56% o cliente queria mudar, mas tinha medo de escolher mal. São dois problemas com remédios opostos.

Ao cliente que prefere o status quo é preciso mostrar o custo de ficar. Ao cliente indeciso, falar mais desse custo piora as coisas. Segundo os autores, usar o medo do que se perde por não comprar baixou a taxa de sucesso em 84% dos casos com indecisão. O que funciona com o indeciso é reduzir o risco da escolha: recomendar uma opção, limitar as alternativas, oferecer garantias.

Na Análise n.º 1 vimos o tamanho deste problema. Perante um cliente muito indeciso, o vendedor médio ganha 6% das vezes.

"Não havia necessidade"

As estatísticas oficiais dizem o mesmo com outras palavras. O inquérito europeu à inovação pergunta às empresas porque é que não inovaram, ou não inovaram mais 2. Calculámos as percentagens a partir dos números absolutos do Eurostat.

Entre as empresas que não inovaram, 60,5% disseram que não havia necessidade. Só 12,5% apontaram falta de recursos. Mesmo entre as que inovaram, a falta de necessidade (38,9%) aparece à frente da falta de recursos (27,3%).

O Eurostat identifica ainda um grupo de cerca de 20% das empresas da UE com potencial para inovar, mas travadas por falta de recursos ou por razões de estratégia, risco e retorno 20.

No Brasil, o IBGE perguntou à indústria com 100 ou mais pessoas porque não adota tecnologias digitais avançadas 19. O custo foi a razão mais citada (74,3%), seguida da falta de pessoal qualificado (60,6%). Mesmo assim, 54% disseram que não veem necessidade.

Na Europa, o Acomodado é o perfil mais comum entre quem não inova. No Brasil industrial pesam mais o Urgente sem meios e o Acomodado.

Porque é que as empresas europeias não inovam mais

Não havia necessidadeFalta de recursos
Razões para não inovar na UE Empresas não inovadoras: não havia necessidade 60,5%, falta de recursos 12,5%. Empresas inovadoras: não havia necessidade 38,9%, falta de recursos 27,3%. 0%20%40%60%80% Não inovaram 60,5% 12,5% Inovaram 38,9% 27,3%
OficialEurostat, Community Innovation Survey 2022, empresas com 10 ou mais pessoas na UE-27, período 2020–2022, fonte 2. Percentagens calculadas por nós a partir dos valores absolutos publicados.

Como se chega a 9 vezes

3×o comprador sobrevaloriza o que já tem
3×o vendedor sobrevaloriza a novidade
9×desfasamento entre os dois
EnsaioGourville 2006, fonte 17. É um raciocínio a partir da investigação em economia comportamental, não uma medição direta do desfasamento.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgenteA dor já venceu o status quo. O risco agora é a indecisão. Recomende uma opção e reduza o risco da escolha.
  • TransformadorCom muita gente a decidir, basta uma pessoa com medo de errar para travar tudo. Identifique quem é.
  • ExploradorSente pouca perda em ficar como está. O piloto funciona porque baixa o custo de experimentar.
  • AcomodadoÉ o status quo em estado puro. Mostre o custo de ficar com dados dele, não com medo genérico.

O que fazer na próxima semana

  1. Nos negócios parados, separe dois grupos: o cliente que não está convencido de que vale a pena mudar e o que quer mudar mas tem medo de errar.
  2. Ao primeiro, mostre um número do custo de ficar como está. Ao segundo, recomende uma só opção e diga o que acontece se correr mal.
  3. Calcule quanto a sua solução tem de ser melhor do que a atual para valer a mudança. Se a resposta for menos de duas vezes, prepare-se para um ciclo longo.
Atenção à leituraA aversão à perda foi medida em pessoas, com 25 estudantes de pós-graduação no estudo de 1992. Uma empresa decide em grupo e com procedimentos, o que pode atenuar ou agravar o efeito. Os valores do Brasil cobrem só a indústria com 100 ou mais pessoas e admitem respostas múltiplas.
3

Capítulo 3 · Que tipo de compra é

Uma compra nova é outro jogo, e a economia dita o ritmo.

A mesma solução pode ser uma recompra para um cliente e uma decisão inédita para outro. Para todos, a velocidade de adoção depende sobretudo de duas coisas: quanto rende e quanto custa entrar.

3

tipos de compra: recompra direta, recompra modificada e compra nova. Só a terceira é adoção no sentido pleno.

Robinson, Faris e Wind 1967, Académico 21
7,8 anos

em média até metade das empresas de um setor adotar uma inovação industrial, em doze casos nos EUA.

Mansfield 1961, por fonte secundária, Académico 22
45 anos

de atraso médio entre a invenção de uma tecnologia e a sua adoção num país, em 166 países.

Comin e Hobijn 2010, American Economic Review, Académico 24

Recompra ou compra nova

Em 1967, Patrick Robinson, Charles Faris e Yoram Wind propuseram uma forma de classificar as compras industriais que ainda hoje se ensina 21. Há três situações.

Na recompra direta, o cliente volta a encomendar o que já comprava, ao fornecedor que já tinha. É rotina. Na recompra modificada, muda alguma coisa: a especificação, o preço, o fornecedor. Na compra nova, a empresa compra algo pela primeira vez. Entram mais pessoas, procura-se mais informação e demora mais.

Uma solução pode ser nova para o mercado e chegar a um cliente como recompra modificada. Uma versão melhor de algo que ele já usa, vendida pelo fornecedor que ele já conhece, entra por uma porta muito mais larga. A mesma solução, vendida a quem nunca comprou nada parecido, é uma compra nova, com tudo o que isso pesa.

A investigação posterior encontrou apoio misto para este modelo. Na prática, as fronteiras entre os três tipos não são nítidas. A ideia central resistiu: quanto mais nova é a compra para quem compra, mais lenta e mais coletiva é a decisão.

A rentabilidade puxa, o investimento trava

Edwin Mansfield estudou em 1961 a velocidade com que as empresas norte-americanas adotaram doze inovações importantes em quatro setores: carvão, aço, cervejeiras e caminhos de ferro 22. Quase todas eram equipamento pesado que baixava custos.

O tempo até metade das empresas adotar variou entre menos de um ano e 15 anos, com uma média de 7,8. Dois fatores explicavam quase toda a diferença: quanto a inovação rendia e quanto custava adotá-la face ao tamanho da empresa.

Zvi Griliches encontrou o mesmo padrão no milho híbrido nos EUA 23. Os agricultores são empresas que compram a fornecedores, por isso o caso serve. A adoção começou primeiro onde era mais rentável para as empresas de sementes entrarem. A velocidade e o ponto onde parou dependeram de quanto a mudança rendia a cada agricultor.

Uma solução que rende muito e custa pouco a experimentar anda depressa. Uma que rende pouco e exige muito investimento anda devagar, por melhor que seja.

À escala dos países, Diego Comin e Bart Hobijn mediram a adoção de 15 tecnologias em 166 países ao longo de cerca de dois séculos 24. Em média, um país adotava uma tecnologia cerca de 45 anos depois de ela ser inventada. As tecnologias mais recentes espalham-se mais depressa. As diferenças de adoção explicam pelo menos um quarto das diferenças de rendimento entre países.

Os três tipos de compra

TipoO que mudaQuem entraPede ao fornecedor
Recompra diretaNadaCompras, por rotinaPreço e entrega
Recompra modificadaEspecificação, preço ou fornecedorCompras e utilizadoresUma razão para mudar e pouco risco
Compra novaA própria necessidadeMuitas pessoas e a liderançaInformação, prova e ajuda a decidir
AcadémicoAdaptado de Robinson, Faris e Wind 1967, fonte 21. As colunas são uma síntese nossa.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgenteNão aguenta um investimento grande. Desenhe a entrada como recompra modificada, pequena e com retorno rápido.
  • TransformadorAceita uma compra nova de grande dimensão, desde que o retorno seja claro. Faça as contas com ele.
  • ExploradorCompra novidades pela novidade. A rentabilidade só aparece como pergunta na passagem do piloto à escala.
  • AcomodadoA porta mais larga é a recompra: entrar por algo que ele já compra e alargar depois.

O que fazer na próxima semana

  1. Para cada oportunidade, anote se é recompra direta, recompra modificada ou compra nova do ponto de vista do cliente.
  2. Nas compras novas, conte quantas pessoas do cliente já conhece. Se for uma, o negócio está mais frágil do que parece.
  3. Desenhe para a sua solução uma porta de entrada mais pequena, que caiba no orçamento de um Urgente.
Atenção à leituraOs estudos de Mansfield e Griliches têm mais de sessenta anos e tratam de equipamento e sementes. O padrão que encontraram, a rentabilidade a puxar e o investimento a travar, foi confirmado muitas vezes depois. Os prazos concretos não se transpõem para hoje.
4

Capítulo 4 · Quem decide

Decide um grupo, e cada pessoa protege-se a si própria.

Uma compra entre empresas é decidida por várias pessoas com interesses diferentes. Cada uma pergunta o que a solução faz pela empresa. Pesa mais o que pode acontecer-lhe a ela se correr mal.

5–11

pessoas no grupo de compra típico de uma grande empresa.

Gartner, B2B Buying Report 2024, Analista 26
13 + 9

pessoas internas e influenciadores externos numa decisão de compra típica.

Forrester 2026, perto de 18.000 compradores, Analista 28
2×

o impacto do valor pessoal face ao valor para o negócio, em catorze resultados comerciais.

CEB e Google 2013, mais de 3.000 compradores, Fornecedor 29

O centro de compra

Em 1972, Frederick Webster e Yoram Wind deram nome aos papéis que se encontram em quase todas as compras industriais 25. O utilizador vai trabalhar com a solução. O influenciador ajuda a definir o que se compra, muitas vezes um técnico. O comprador negoceia. O decisor diz que sim. O guardião controla a informação que chega ao grupo, e pode ser um assistente, um técnico ou o departamento de compras.

O modelo tem mais de cinquenta anos, mas o grupo cresceu. A Gartner fala hoje de 5 a 11 pessoas nas grandes empresas 26. A Forrester conta 13 internas e mais 9 influenciadores de fora 28. Nas compras de soluções com IA generativa, o grupo tem o dobro do tamanho: 14 pessoas contra 7. O departamento de compras participa na decisão em 53% dos ciclos.

Cada pessoa a mais baixa a probabilidade

A CEB, hoje parte da Gartner, inquiriu cerca de 3.000 compradores para o livro The Challenger Customer 27. Mediu a probabilidade de uma compra acontecer consoante o número de pessoas envolvidas. Com uma pessoa, 81%. Com duas, 55%. Com cinco ou mais, a probabilidade desce para a casa dos 30%.

A explicação é intuitiva. Cada pessoa traz as suas prioridades e os seus receios. Basta uma não concordar para a decisão parar. É por isso que o Transformador, com muita dor e muitos meios, ainda assim falha tantas compras.

A Gartner mostra a outra face 33. 77% dos compradores dizem que a última compra foi muito complexa ou difícil. Cerca de dois terços do percurso é passado a recolher, processar e conciliar informação. Quando o fornecedor ajuda o grupo a decidir, o comprador tem 2,8 vezes mais probabilidade de achar a compra fácil e 3 vezes mais de comprar a opção maior, com menos arrependimento.

O valor pessoal pesa mais do que se pensa

Em 2013, a CEB e a Google, com a empresa de análise Motista, inquiriram mais de 3.000 compradores sobre 36 marcas 29. Só 14% viam diferença suficiente entre fornecedores para pagarem mais. O valor pessoal, como a progressão na carreira, a confiança e o orgulho na decisão, tinha cerca do dobro do impacto do valor para o negócio.

A Bain inquiriu mais de 2.300 decisores para construir os seus "elementos de valor" B2B 31. Os compradores diziam que a redução de custos era o mais importante. Quando se mediu o que de facto os tornava promotores de um fornecedor, a redução de custos ficou em 27.º lugar. A "esperança", um elemento emocional, ficou em 4.º.

A LinkedIn inquiriu em 2025 750 compradores seniores sobre cinco dimensões emocionais da compra 30. A primeira foi a capacidade de defender a decisão internamente, mesmo que corresse mal.

O comprador não compra só a melhor solução. Compra aquela que consegue defender se correr mal.

A visão também se cria

Os Exploradores não aparecem sozinhos. Parte da procura por novidades é criada por quem publica ideias. A Edelman e a LinkedIn inquiriram 3.500 decisores em 2024 32. 75% disseram que um conteúdo de liderança de pensamento os levou a investigar algo que não estavam a considerar. Destes, 23% acabaram por comprar ao autor. 86% convidariam essas empresas para um concurso. Perto de 70% dos executivos de topo questionaram um fornecedor atual por causa de um conteúdo.

São números declarados pelos inquiridos e publicados por duas empresas que vendem exatamente este serviço. A direção, porém, é coerente com o resto. A visão de um cliente pode ser alimentada de fora.

Probabilidade de comprar consoante o número de pessoas

Probabilidade de compra por tamanho do grupo Uma pessoa 81%, duas pessoas 55%, cinco ou mais pessoas na casa dos 30%, valor aproximado. 0%25%50%75% 81% 55% ≈30% 1 pessoa2 pessoas5 ou mais
FornecedorCEB, The Challenger Customer, 2015, cerca de 3.000 compradores, fonte 27. A barra tracejada é aproximada: a fonte diz apenas "na casa dos 30%". O valor de 31% com seis pessoas, muito citado, não aparece em nenhuma fonte que tenhamos encontrado.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgenteO grupo é pequeno porque há pressa. Aproveite: chegue ao decisor e dê-lhe o argumento para defender a escolha.
  • TransformadorTem o grupo maior e o risco maior de parar. Mapeie cada papel e o que cada pessoa arrisca.
  • ExploradorQuem o move é quem pensa à frente. A sua liderança de pensamento vale mais aqui do que a visita comercial.
  • AcomodadoSem dor, ninguém arrisca a cara por si. Dê ao seu contacto dados que ele possa levar internamente sem se expor.

O que fazer na próxima semana

  1. Nas três maiores oportunidades, escreva o nome de quem ocupa cada papel: utilizador, influenciador, comprador, decisor e guardião.
  2. Para cada nome, escreva numa linha o que essa pessoa arrisca se a compra correr mal.
  3. Prepare para o seu contacto principal uma página que ele possa apresentar internamente com o nome dele.
Atenção à leituraO tamanho do grupo varia muito com a dimensão do cliente e o valor da compra. Um inquérito da TrustRadius a 2.164 compradores de tecnologia encontrou 96% de grupos com cinco pessoas ou menos 57. As definições diferem: uns contam quem decide, outros todos os que opinam.
5

Capítulo 5 · O que faz uma solução pegar

Uma solução pega pelo exemplo de quem está ao lado.

Há décadas que se mede o que torna uma inovação adotável. As experiências mais recentes mostram que ver outra empresa usá-la convence mais do que qualquer explicação.

+19 p.p.

de adoção com um vizinho que tinha o motor eficiente instalado. Um vídeo informativo deu +10.

Chaurey et al. 2025, experiência no Bangladesh, Académico 38
54% vs 2%

das empresas ensinaram a técnica a outras quando tinham formação e encomendas, contra só formação.

Hardy e McCasland 2016, experiência no Gana, Académico 39
+8,1%

de receita em empresas cujos donos se reuniram todos os meses com pares durante um ano.

Cai e Szeidl 2018, 2.820 empresas na China, Académico 40

Os cinco atributos, e os três que pesam

Everett Rogers resumiu décadas de investigação em cinco atributos que tornam uma inovação mais fácil de adotar 9. São a vantagem relativa sobre o que já existe, a compatibilidade com o que a empresa já faz, a complexidade, a possibilidade de experimentar antes e a visibilidade dos resultados.

Louis Tornatzky e Katherine Klein fizeram em 1982 uma meta-análise de 75 estudos para ver quais contavam de facto 34. Três tinham uma relação consistente com a adoção: a compatibilidade, a vantagem relativa e a complexidade, esta com sinal negativo.

Meta-análises mais recentes, sobre tecnologias de informação, acrescentam o lado da empresa. Uma, com 35 estudos, encontrou como fatores significativos a vantagem relativa, a compatibilidade, o apoio da gestão de topo, a prontidão da organização e a pressão da concorrência 36. Outra concluiu que a prontidão da organização era o fator mais forte 37. Ter um defensor interno do produto não era significativo.

Ruud Frambach e Niels Schillewaert juntaram tudo num modelo em dois níveis 35. No primeiro, a empresa decide. Pesam as características da empresa, a perceção da inovação, a pressão do mercado, a rede de contactos e o esforço do fornecedor para reduzir o risco. No segundo, as pessoas aceitam ou não usar o que foi comprado. Voltamos a esse segundo nível no próximo capítulo.

Ver para crer

As provas mais fortes vêm de experiências de campo recentes, com sorteio de quem recebe o quê.

No Bangladesh, investigadores trabalharam com 505 fábricas de artigos de couro em Daca 38. Algumas receberam um vídeo sobre motores elétricos eficientes. Outras receberam um motor instalado numa máquina, com contador de eletricidade. As restantes não receberam nada. O motor gastava cerca de 71% menos eletricidade.

O resultado mais interessante foi o efeito nos vizinhos. Uma fábrica com um vizinho, a menos de 500 metros, que recebera o motor instalado tinha mais 19,3 pontos percentuais de probabilidade de o adotar. O vídeo informativo dava mais 9,9 pontos. Ver o motor a funcionar ao lado valia o dobro da explicação.

No Gana, Morgan Hardy e Jamie McCasland trabalharam com 417 pequenas confeções 39. Umas receberam formação numa técnica de tecelagem nova. Outras receberam encomendas reais de clientes que pediam essa técnica. A formação sozinha quase não se espalhou: só 2,1% das empresas formadas a ensinaram a outras. Quando havia formação e encomenda, 54,2% ensinaram.

A informação não chega. A técnica espalhou-se quando havia clientes a pedi-la.

Na China, Jing Cai e Adam Szeidl sortearam 2.820 empresas jovens 40. Os donos de umas reuniram-se todos os meses em pequenos grupos durante um ano. Os outros não. As empresas dos grupos aumentaram a receita em 8,1% e melhoraram as práticas de gestão. Os efeitos duraram pelo menos um ano depois de as reuniões acabarem.

Referências e pilotos

V. Kumar, Andrew Petersen e Robert Leone mediram o valor de um cliente como referência para outros, numa empresa de serviços financeiros e numa de telecomunicações 41. Os melhores clientes como referência não eram os que mais compravam. Pesavam a antiguidade da relação, a dimensão do cliente, o formato da referência e a semelhança com quem a ia ouvir.

A experimentação tornou-se a norma. Segundo a Forrester, mais de 60% dos compradores usam alguma forma de teste antes de comprar, e 78% nas compras de 10 milhões de dólares ou mais 28. Só pouco mais de um terço planeia converter o teste em contrato pago.

O que fez a solução espalhar-se

Só informaçãoCom prova ou procura real
Efeito da prova e da procura na difusão Bangladesh, aumento da adoção: vídeo informativo 9,9 pontos, vizinho com motor instalado 19,3 pontos. Gana, empresas que ensinaram a técnica: só formação 2,1%, formação e encomenda 54,2%. Bangladesh · aumento da adoção, pontos percentuais Vídeo+9,9 Vizinho+19,3 Gana · empresas que ensinaram a técnica a outras Formação2,1% + encomenda54,2%
AcadémicoChaurey, Nayyar, Sharma e Verhoogen 2025, 505 fábricas, fonte 38. Hardy e McCasland 2016, 417 empresas, fonte 39. As duas escalas são diferentes e não se comparam entre si. Os dois estudos são documentos de trabalho, ainda sem revisão final.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgenteQuer ver o resultado num igual. Leve-o a um cliente parecido, não lhe mande uma apresentação.
  • TransformadorPesa a compatibilidade com o que já tem. Mostre como a solução entra nos processos atuais.
  • ExploradorVai pedir um piloto. Defina antes como se mede e o que acontece se resultar.
  • AcomodadoVer um concorrente direto a usar a solução é dos poucos gatilhos que o move.

O que fazer na próxima semana

  1. Liste os clientes que aceitariam receber a visita de um potencial cliente. Se forem menos de três, comece a construir essa lista.
  2. Para cada argumento de venda, responda: em que é compatível com o que o cliente já faz?
  3. Reveja os pilotos em curso. Os que não têm critério de sucesso escrito, escreva-o esta semana com o cliente.
Atenção à leituraAs experiências de campo foram feitas com pequenas empresas industriais no Bangladesh, no Gana e na China. Têm a vantagem de medir causa e efeito, o que os inquéritos não fazem. A transposição para grandes empresas europeias deve ser feita com cuidado.
6

Capítulo 6 · Depois da compra

Comprar não é adotar.

A empresa decide comprar. Depois, as pessoas decidem se usam. A investigação mostra que esta segunda decisão pode deitar fora uma compra boa, gratuita e rentável.

+17%

de produtividade no primeiro ano em fábricas que receberam consultoria de gestão gratuita.

Bloom et al. 2013, experiência na Índia, Académico 42
60%

dos compradores de tecnologia em renovações arrependem-se de quase todas as compras que fazem.

Gartner 2023, 1.503 inquiridos, Analista 45
70%

da intenção de usar uma tecnologia no trabalho explicada por quatro fatores, no modelo mais usado.

Venkatesh et al. 2003, MIS Quarterly, Académico 44

A ferramenta que ficou na gaveta

Sialkot, no Paquistão, é um centro de fabrico de bolas de futebol. Uma equipa de economistas liderada por David Atkin e Eric Verhoogen desenhou para estas fábricas uma matriz de corte nova 1. Aproveitava melhor o couro sintético, a matéria-prima principal, e baixava o custo de material por peça em 6,8%.

Em maio de 2012 ofereceram-na de graça a 35 fábricas escolhidas por sorteio. Quinze meses depois, só cinco a usavam. A ferramenta era gratuita e rentável para o dono.

Os investigadores foram perceber porquê. Os cortadores são pagos à peça. Com a matriz nova, nas primeiras semanas, cortavam mais devagar e ganhavam menos. O dono ganhava, o trabalhador perdia, e o trabalhador tinha forma de travar a mudança, por exemplo exagerando as dificuldades da ferramenta.

Em 2013 fizeram uma segunda experiência. Ofereceram a um cortador e a um impressor de cada fábrica cerca de um mês de salário se mostrassem ao dono que dominavam a matriz nova. A adoção subiu entre 27 e 32 pontos percentuais. Nas fábricas que aceitaram a proposta, subiu 48.

A solução estava certa e a compra estava feita. Faltava resolver o que perdia quem a ia usar.

Práticas rentáveis que ninguém adota

Nicholas Bloom e colegas fizeram uma experiência parecida com práticas de gestão 42. Escolheram fábricas têxteis familiares no estado de Maharashtra e ofereceram-lhes consultoria de gestão gratuita. Umas fábricas receberam um mês de diagnóstico e quatro de implementação de 38 práticas de gestão. Outras receberam só o diagnóstico.

As fábricas apoiadas aumentaram a produtividade em 17% no primeiro ano, com melhor qualidade, mais eficiência e menos stock. Em três anos tinham aberto mais fábricas.

A pergunta interessante é porque é que não o tinham feito antes. Segundo a versão de trabalho do estudo, cerca de 15% das práticas eram desconhecidas dos donos. Pouco mais de 45% eram conhecidas, mas os donos achavam que não compensavam. Depois de verem os resultados, o tempo limitado dos donos e o adiamento ainda atrasaram a adoção. A falta de dinheiro quase não contou.

É o retrato de um Acomodado. As fábricas não sentiam que precisavam e não sabiam o que estavam a perder.

O que faz as pessoas usarem

Fred Davis propôs em 1989 o modelo de aceitação de tecnologia, ainda hoje o mais citado 43. Com 152 utilizadores e quatro aplicações, mediu duas perceções. A utilidade percebida tinha uma correlação de 0,63 com o uso atual. A facilidade de uso tinha 0,45, e atuava sobretudo através da utilidade. As pessoas usam o que acham útil. A facilidade ajuda quando há utilidade.

Viswanath Venkatesh e colegas compararam em 2003 oito modelos concorrentes em quatro organizações durante seis meses 44. Cada modelo explicava entre 17% e 53% da intenção de usar. O modelo unificado que propuseram explicava 69%, e 70% numa segunda amostra. Os fatores são o desempenho esperado, o esforço esperado, a influência de colegas e chefias e as condições de apoio.

O arrependimento

Quando a adoção falha, o cliente arrepende-se, e isso pesa na próxima compra. A Gartner inquiriu 1.503 pessoas envolvidas em renovações de serviços tecnológicos em 2023 45. 60% disseram arrepender-se de quase todas as compras que fazem. A Forrester encontrou, em 2024, 81% de compradores insatisfeitos com o fornecedor escolhido 4.

Para quem vende, o trabalho não acaba na assinatura. O cliente que se arrepende não renova e não serve de referência ao próximo.

35 fábricas receberam a ferramenta de graça

Usavam a ferramenta 15 meses depois
AcadémicoAtkin et al. 2017, Quarterly Journal of Economics, fonte 1. Das fábricas que não a receberam, só uma a adotou. Com um incentivo aos trabalhadores, a adoção subiu entre 27 e 32 pontos percentuais.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgenteCompra depressa e usa mal se ninguém o acompanhar. Combine a primeira vitória visível nas primeiras semanas.
  • TransformadorÉ onde a adoção interna mais pesa. Pergunte quem perde com a mudança e o que se faz por essas pessoas.
  • ExploradorO piloto mede a solução. A escala mede a aceitação pelas pessoas. Planeie as duas.
  • AcomodadoComo as fábricas de Bloom, pode estar a perder sem saber. Um diagnóstico gratuito pode ser a porta de entrada.

O que fazer na próxima semana

  1. Escolha um cliente recente e pergunte quem usa a solução todos os dias e se a usa como previsto.
  2. Para a próxima venda grande, escreva quem dentro do cliente perde com a mudança e o que lhe oferece.
  3. Inclua na proposta um plano de adoção com responsável, prazo e indicador, não só um plano de entrega.
Atenção à leituraOs 60% de arrependimento da Gartner referem-se a renovações de serviços tecnológicos e são declarados pelos inquiridos. Os modelos de Davis e Venkatesh explicam a intenção de usar tecnologia, não o uso de qualquer solução.
7

Capítulo 7 · Geografia da adoção

Em todo o lado, as grandes adotam primeiro.

Europa, Estados Unidos, Ásia e Brasil medem a adoção de formas diferentes, e os números não se comparam diretamente. Há um padrão que aparece em todas as fontes: a distância entre grandes e pequenas empresas.

1.220

robôs industriais por 10 mil trabalhadores na Coreia do Sul, o valor mais alto do mundo. A média mundial é 132.

IFR, World Robotics 2025, dados de 2024, Analista 49
20% vs 11,5%

das empresas usavam IA em 2025 na UE e em Portugal. Na Alemanha, 26%.

Eurostat 2025, empresas com 10 ou mais pessoas, Oficial 10
54%

dos robôs industriais instalados no mundo em 2024 foram para a China: 295 mil de 542 mil.

IFR 2025, Analista 50

Europa

O inquérito europeu à inovação mostra que 51,4% das empresas da UE com 10 ou mais pessoas tiveram atividade de inovação entre 2020 e 2022 2. A Alemanha ficou nos 63,4%. Portugal ficou nos 47,4%. Pela medida do INE, que conta só as empresas que de facto introduziram uma inovação, foram 44,7% 11. No inquérito seguinte, para 2022–2024, Portugal desceu para 42,5%, o valor mais baixo desde 2018 58.

Na inteligência artificial, a UE passou de 8% de empresas utilizadoras em 2023 para 20% em 2025 10. A Dinamarca lidera com 42%. A Alemanha está nos 26%. Portugal subiu de 7,9% para 11,5%, abaixo do ritmo europeu.

Na cloud a distância cresce 46. Em 2021, Portugal estava cerca de 7,6 pontos abaixo da média europeia. Em 2025 está 14 pontos abaixo: 38,7% contra 52,7%.

Em Portugal, 41,5% das empresas de 10 a 49 pessoas inovaram, contra 79,1% das que têm 250 ou mais 11. Num país de empresas pequenas, há proporcionalmente mais Acomodados e mais Urgentes sem meios.

Estados Unidos

O Census Bureau pergunta de duas em duas semanas às empresas se usaram IA nas duas semanas anteriores 47. Em maio de 2026, a resposta foi 19,8%. Nas empresas com 250 ou mais trabalhadores, 37%. Nas que têm até quatro, menos de 20%. Os setores da informação (39,7%) e das finanças e seguros (33,9%) lideram.

Um estudo anterior do Census, com cerca de 850 mil empresas, mostra a mesma concentração 48. Em 2018, menos de 6% das empresas usavam alguma de cinco tecnologias de IA. Ponderado pelo emprego, o valor subia para pouco mais de 18%, porque quem usava eram as grandes.

Ásia

A automação industrial é onde a Ásia mais se distingue 49. A Coreia do Sul tem 1.220 robôs por 10 mil trabalhadores na indústria, Singapura 818, a Alemanha 449, o Japão 446 e os EUA 307. A China instalou em 2024 mais de metade dos robôs industriais do mundo 50.

Na IA nas empresas, os dados asiáticos são menos comparáveis. Na Coreia, um relatório baseado no inquérito nacional às empresas indica 9,2% de utilização em 2024, com 18% nas grandes e 6,2% nas pequenas 52. Em Singapura, 62,5% das empresas que não são PME usam IA, contra 14,5% das PME 53. No Japão, 18,4% das empresas com 100 ou mais trabalhadores introduziram sistemas de IoT ou IA 54. Para a China não encontrámos uma taxa oficial de empresas que usam IA.

Brasil

O IBGE mede a inovação na indústria com 100 ou mais pessoas 51. Em 2023, 64,6% das empresas inovaram, a segunda descida seguida, depois de 70,5% em 2021. Entre as que inovaram, os obstáculos mais citados foram a instabilidade económica (44,2%), os recursos internos limitados (42,1%) e a concorrência (41,4%).

Nas tecnologias digitais, a mudança foi rápida 19. A parte da indústria que usa IA passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. 77,2% usam cloud e 30,5% robótica. Mesmo entre as que adotam, 78,6% apontam o custo elevado como barreira.

O retrato da indústria brasileira tem muitos Urgentes: empresas que querem mudar e sentem que o custo e a falta de pessoal as travam.

Robôs por 10 mil trabalhadores na indústria, 2024

Densidade de robôs industriais em 2024 Coreia do Sul 1220, Singapura 818, Alemanha 449, Japão 446, EUA 307, UE 231, China 166, média mundial 132. 04008001.200 Coreia do Sul1.220 Singapura818 Alemanha449 Japão446 EUA307 UE-27231 China166 Mundo132
AnalistaIFR, World Robotics 2025, fonte 49. O Brasil não aparece nos comunicados. O valor da China baixou de 470 para 166 porque o IFR passou a usar dados de emprego atualizados da estatística chinesa. Não é uma queda de robôs (ver Números sem origem).

Uso de IA nas empresas, e porque não se compara

OndeValorQuem conta
Brasil, indústria41,9%Indústria com 100 ou mais pessoas, 2024
Alemanha26,0%10 ou mais pessoas, sem setor financeiro, 2025
UE-2720,0%10 ou mais pessoas, sem setor financeiro, 2025
EUA19,8%Todas as empresas, uso nas últimas duas semanas, maio de 2026
Japão18,4%100 ou mais trabalhadores, IoT ou IA, 2024
Portugal11,5%10 ou mais pessoas, sem setor financeiro, 2025
Coreia do Sul9,2%Inquérito nacional às empresas, 2024, fonte secundária
OficialFontes 19, 10, 47, 54 e 52. Cada país conta empresas diferentes e define IA de outra maneira. Ordenar estes valores como um ranking seria um erro. O que se pode comparar é a subida com a dimensão dentro de cada país.

O que este capítulo muda em cada perfil

  • UrgentePesa mais onde as empresas são pequenas e o custo é a barreira, como em Portugal e na indústria brasileira. Entradas pequenas e financiadas ajudam.
  • TransformadorEstá sobretudo nas grandes empresas, que em todos os países adotam duas a quatro vezes mais.
  • ExploradorOs mercados com mais automação, como a Coreia, Singapura e a China, têm mais empresas a comprar o futuro em escala.
  • AcomodadoNa Europa é o perfil dominante entre quem não inova: seis em cada dez dizem não ter necessidade.

O que fazer na próxima semana

  1. Divida a carteira por dimensão de cliente e veja onde estão as suas vitórias. Se forem quase todas grandes, a sua oferta pode ser difícil de comprar para uma pequena.
  2. Para os clientes pequenos, desenhe uma oferta de entrada com investimento inicial baixo.
  3. Se vende para fora de Portugal, use os números do país do cliente e não médias europeias.
Atenção à leituraA ligação entre geografia e perfis da matriz é uma hipótese nossa a partir dos dados, não uma medição. Os números da Coreia chegam por um jornal que cita um relatório oficial. A série norte-americana mudou a pergunta em novembro de 2025.

Números sem origem

Seis números que ficaram de fora

Circulam em apresentações e artigos. Tentámos chegar à origem de cada um. Estes não resistiram, ou dizem outra coisa quando se lê a fonte.

Uma compra B2B envolve 6 a 10 decisores, segundo a Gartner.Sem fonte atual

Não aparece em nenhuma página atual da Gartner. O que a Gartner publica, no relatório de 2024, é de 5 a 11 pessoas nas grandes empresas.

Ver a fonte que existe →
Só 5% dos compradores estão no mercado em cada momento.Estimativa ilustrativa

A regra 95:5 nasceu de um exemplo sobre bancos de empresas: se uma empresa muda de banco de cinco em cinco anos, 20% estão no mercado por ano. É um raciocínio, não uma medição. Foi divulgada pela LinkedIn, que vende publicidade B2B.

Ver a origem →
Os novos diretores gastam 70% do orçamento nos primeiros 100 dias.Sem fonte

Não encontrámos nenhuma origem. O dado mais próximo é de um fornecedor de sinais de mudança de emprego: novos diretores estariam 2,5 vezes mais abertos a avaliar ferramentas. Isso é abertura para avaliar, não compra, e o método não é descrito.

Ver a origem →
Com seis pessoas no grupo, a probabilidade de compra cai para 31%.Número não encontrado

As fontes da CEB dizem 81% com uma pessoa, 55% com duas e "na casa dos 30%" com cinco ou mais. O valor exato de 31% com seis não aparece.

Ver a fonte →
A China tem hoje menos robôs por trabalhador do que tinha.Mudança de método

O valor da China passou de 470 para 166 entre duas edições do IFR. O IFR explica que passou a usar dados de emprego atualizados da estatística chinesa. No mesmo relatório, a densidade cresceu 17% num ano.

Ver as duas edições →
91% das compras B2B encravam.Duas versões

A Forrester publicou 91% num artigo do blogue e 86% no comunicado de imprensa do mesmo estudo de 2024. Usámos o valor do comunicado. Até os analistas se contradizem.

Ver o comunicado →

Teste

Em que quadrante está o seu cliente?

Pense num cliente ou numa oportunidade concreta. Responda às oito perguntas. O resultado é indicativo e serve para orientar a conversa, não para a substituir.

Dor

Falhou nos últimos doze meses um objetivo importante ligado ao problema que a sua solução resolve?

Consegue dizer, pelas próprias palavras, quanto o problema lhe custa?

Há pressão de fora para resolver o problema: um cliente, um regulador, a casa-mãe ou um concorrente?

Alguém com poder de decisão fala do problema sem ser o vendedor a levantá-lo?

Folga

Tem orçamento disponível para esta compra, já aprovado ou fora do ciclo normal?

Tem pessoas com tempo para implementar nos próximos seis meses?

Adotou alguma solução nova relevante nos últimos dois anos?

Tem 250 ou mais pessoas, ou margens acima da média do setor?

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Para ir mais longe

Esta análise é aberta. Leia-a toda, sem registo.

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Método

Como fizemos esta análise

Evidência primeiro

Cada conclusão assenta em estudos publicados. A experiência do autor orienta as perguntas, a matriz e as ações propostas.

Fichas de origem

Os estudos centrais vêm resumidos numa ficha: o que se estudou, como, o que se encontrou e os limites. Indicamos se lemos o texto integral ou só o resumo.

Cinco tipos de fonte

Académico, estatística oficial, analista, fornecedor e ensaio. Quando quem mede vende a solução para o que mede, classificamos como fornecedor.

Divergências à vista

Quando as fontes divergem, dizemo-lo. O INE dá 44,7% de empresas inovadoras em Portugal e o Eurostat 47,4% ativas em inovação: são medidas diferentes. A Forrester publica 86% e 91%.

Os limites desta análise
  • A matriz dor por folga é uma síntese nossa. Assenta em investigação publicada, mas não foi testada como modelo.
  • As experiências de campo mais fortes foram feitas com pequenas empresas industriais em economias emergentes.
  • Os dados de analistas sobre grupos de compra vêm sobretudo de compras de tecnologia em grandes empresas.
  • As estatísticas oficiais definem a adoção de formas diferentes entre países. Não encontrámos uma taxa oficial para a China.
  • Alguns números chegam por fontes secundárias. Estão assinalados nas fichas e nas legendas.

Fontes

59 fontes, pela ordem dos capítulos

Académicorevista com revisão por pares ou documento de trabalho de investigadores Oficialinstituto de estatística ou organismo público Analistaconsultora ou associação de investigação Fornecedorvende uma solução para o que mede Ensaiolivro ou artigo de divulgação
  1. 1
    AcadémicoAtkin, Chaudhry, Chaudry, Khandelwal e Verhoogen. Organizational Barriers to Technology Adoption: Evidence from Soccer-Ball Producers in Pakistan, Quarterly Journal of Economics, 2017.Duas experiências de campo em Sialkot, 2012 e 2013. Versão de trabalho NBER lida na íntegra.abrir ↗
  2. 2
    OficialEurostat. Community Innovation Survey 2022, razões para não inovar e atividade de inovação, 2024.Empresas com 10 ou mais pessoas, UE-27, 2020–2022. Percentagens das razões calculadas por nós.abrir ↗
  3. 3
    FornecedorDixon e McKenna. Stop Losing Sales to Customer Indecision, Harvard Business Review, 2022.Cerca de 2,5 milhões de chamadas gravadas, análise por machine learning.abrir ↗
  4. 4
    AnalistaForrester. The State of Business Buying, 2024, comunicado de imprensa.Mais de 16.000 compradores em todo o mundo.abrir ↗
  5. 5
    AcadémicoGreve. A Behavioral Theory of R&D Expenditures and Innovations: Evidence from Shipbuilding, Academy of Management Journal, 2003.Painel de construtores navais. Resumo consultado.abrir ↗
  6. 6
    AcadémicoVan de Ven. The Process of Adopting Innovations in Organizations: Three Cases of Hospital Innovations, National Academy Press, 1991.Texto integral.abrir ↗
  7. 7
    AcadémicoNohria e Gulati. Is Slack Good or Bad for Innovation?, Academy of Management Journal, 1996.264 departamentos de duas multinacionais. Resumo consultado.abrir ↗
  8. 8
    EnsaioMoore. Crossing the Chasm, 1991, em entrevista ao Lenny's Newsletter.Visionários e pragmáticos. Obra de gestão, não investigação.abrir ↗
  9. 9
    AcadémicoRogers. Diffusion of Innovations, 5.ª edição, 2003, em resumo da UCLA.Categorias de adotantes e cinco atributos.abrir ↗
  10. 10
    OficialEurostat. Use of artificial intelligence in enterprises, 2025.Empresas com 10 ou mais pessoas, sem setor financeiro. Oito tecnologias de IA.abrir ↗
  11. 11
    OficialDGEEC e INE. Inquérito Comunitário à Inovação, CIS 2022, 2024.Empresas com 10 ou mais pessoas em Portugal, 2020–2022.abrir ↗
  12. 12
    AcadémicoDiMaggio e Powell. The Iron Cage Revisited, American Sociological Review, 1983.Isomorfismo coercivo, mimético e normativo. Resumo consultado.abrir ↗
  13. 13
    AcadémicoGuler, Guillén e Macpherson. Global Competition, Institutions, and the Diffusion of Organizational Practices: The International Spread of ISO 9000, Administrative Science Quarterly, 2002.85 países, 1993–1998. Texto integral.abrir ↗
  14. 14
    AcadémicoAbrahamson. Managerial Fads and Fashions: The Diffusion and Rejection of Innovations, Academy of Management Review, 1991.Artigo conceptual. Resumo consultado.abrir ↗
  15. 15
    AcadémicoSamuelson e Zeckhauser. Status Quo Bias in Decision Making, Journal of Risk and Uncertainty, 1988.Experiências e dados de campo. Resumo consultado.abrir ↗
  16. 16
    AcadémicoTversky e Kahneman. Advances in Prospect Theory, Journal of Risk and Uncertainty, 1992.25 estudantes de pós-graduação. Texto integral.abrir ↗
  17. 17
    EnsaioGourville. Eager Sellers and Stony Buyers, Harvard Business Review, 2006.Síntese de investigação em economia comportamental aplicada a produtos novos.abrir ↗
  18. 18
    FornecedorCustomerThink. What Causes No Decisions and What to Do About Them, sobre The JOLT Effect.Fonte secundária para a divisão 56/44 e o efeito do medo.abrir ↗
  19. 19
    OficialIBGE. PINTEC Semestral: tecnologias digitais avançadas, 2022 e 2024, 2025.Indústria com 100 ou mais pessoas.abrir ↗
  20. 20
    OficialEurostat. Innovation profiles of enterprises, CIS 2022.Perfis de empresas segundo a atividade de inovação e os obstáculos.abrir ↗
  21. 21
    AcadémicoRobinson, Faris e Wind. Industrial Buying and Creative Marketing, 1967.Três tipos de compra. Consultado por síntese secundária.abrir ↗
  22. 22
    AcadémicoMansfield. Technical Change and the Rate of Imitation, Econometrica, 1961.Doze inovações em quatro setores. Valores via síntese de Nancy Stokey, 2018.abrir ↗
  23. 23
    AcadémicoGriliches. Hybrid Corn: An Exploration in the Economics of Technological Change, Econometrica, 1957.Resumo consultado.abrir ↗
  24. 24
    AcadémicoComin e Hobijn. An Exploration of Technology Diffusion, American Economic Review, 2010.15 tecnologias, 166 países. Resumo consultado.abrir ↗
  25. 25
    AcadémicoWebster e Wind. A General Model for Understanding Organizational Buying Behavior, Journal of Marketing, 1972.Papéis no centro de compra. Consultado por síntese da Open University.abrir ↗
  26. 26
    AnalistaGartner. B2B Buying Report, 2024.Inquérito de 2022 a compradores B2B, até 771 respostas.abrir ↗
  27. 27
    FornecedorChallenger Inc. sobre CEB, The Challenger Customer, 2015.Cerca de 3.000 compradores. A empresa vende formação comercial.abrir ↗
  28. 28
    AnalistaForrester. The State of Business Buying, 2026, comunicado de imprensa.Perto de 18.000 compradores.abrir ↗
  29. 29
    FornecedorCEB, Google e Motista. From Promotion to Emotion, 2013, em Marketing Week, 2014.Mais de 3.000 compradores, 36 marcas. Original já não publicado.abrir ↗
  30. 30
    FornecedorLinkedIn. Estudo de compra B2B apresentado em Cannes, 2025, em The Drum.750 compradores seniores.abrir ↗
  31. 31
    AnalistaAlmquist, Cleghorn e Sherer (Bain). The B2B Elements of Value, Harvard Business Review, 2018.Mais de 2.300 decisores. Artigo completo.abrir ↗
  32. 32
    FornecedorEdelman e LinkedIn. B2B Thought Leadership Impact Report, 2024.3.500 decisores, respostas declaradas.abrir ↗
  33. 33
    AnalistaGartner. Customer Confidence, página de investigação.Amostra não indicada.abrir ↗
  34. 34
    AcadémicoTornatzky e Klein. Innovation Characteristics and Innovation Adoption-Implementation: A Meta-Analysis, IEEE Transactions on Engineering Management, 1982.75 estudos. Resumo consultado.abrir ↗
  35. 35
    AcadémicoFrambach e Schillewaert. Organizational Innovation Adoption: A Multi-Level Framework, Journal of Business Research, 2002.Modelo conceptual. Componentes por fonte secundária.abrir ↗
  36. 36
    AcadémicoMangula, van de Weerd e Brinkkemper. A Meta-Analysis of IT Innovation Adoption Factors, PACIS, 2017.35 estudos. Resumo consultado.abrir ↗
  37. 37
    AcadémicoHameed, Counsell e Swift. A Meta-Analysis of Relationships between Organizational Characteristics and IT Innovation Adoption, Information & Management, 2012.Resumo consultado.abrir ↗
  38. 38
    AcadémicoChaurey, Nayyar, Sharma e Verhoogen. Social Learning among Urban Manufacturing Firms, documento de trabalho, 2025.505 fábricas em Daca. Texto integral.abrir ↗
  39. 39
    AcadémicoHardy e McCasland. It Takes Two: Experimental Evidence on the Determinants of Technology Diffusion, documento de trabalho, 2016.417 empresas no Gana. Texto integral.abrir ↗
  40. 40
    AcadémicoCai e Szeidl. Interfirm Relationships and Business Performance, Quarterly Journal of Economics, 2018.2.820 empresas na China. Resumo consultado.abrir ↗
  41. 41
    AcadémicoKumar, Petersen e Leone. Defining, Measuring, and Managing Business Reference Value, Journal of Marketing, 2013.Duas empresas, serviços financeiros e telecomunicações. Resumo consultado.abrir ↗
  42. 42
    AcadémicoBloom, Eifert, Mahajan, McKenzie e Roberts. Does Management Matter? Evidence from India, Quarterly Journal of Economics, 2013.Experiência com 28 fábricas têxteis. Resumo e versão de trabalho de 2011.abrir ↗
  43. 43
    AcadémicoDavis. Perceived Usefulness, Perceived Ease of Use, and User Acceptance of Information Technology, MIS Quarterly, 1989.152 utilizadores. Resumo consultado.abrir ↗
  44. 44
    AcadémicoVenkatesh, Morris, Davis e Davis. User Acceptance of Information Technology: Toward a Unified View, MIS Quarterly, 2003.Quatro organizações, seis meses. Resumo consultado.abrir ↗
  45. 45
    AnalistaGartner. Survey Reveals 60% of Technology Buyers Involved in Renewal Decisions Regret Nearly Every Purchase, 2023.1.503 inquiridos, fevereiro e março de 2023.abrir ↗
  46. 46
    OficialEurostat. Cloud computing services, by size class, 2021–2025.Cloud paga, empresas com 10 ou mais pessoas.abrir ↗
  47. 47
    OficialUS Census Bureau. Business Trends and Outlook Survey, artigo de maio de 2026.Inquérito quinzenal. A pergunta mudou em novembro de 2025.abrir ↗
  48. 48
    AcadémicoMcElheran et al. AI Adoption in America: Who, What, and Where, Census CES-WP-23-48, 2023.Cerca de 850 mil empresas, dados de 2018.abrir ↗
  49. 49
    AnalistaIFR. Robot Density Surges in Europe, Asia and Americas, World Robotics 2025, abril de 2026.Associação do setor da robótica.abrir ↗
  50. 50
    AnalistaIFR. Global Robot Demand in Factories Doubles over 10 Years, setembro de 2025.Instalações em 2024.abrir ↗
  51. 51
    OficialIBGE. PINTEC 2023, março de 2025.Indústria com 100 ou mais pessoas.abrir ↗
  52. 52
    OficialKRIVET, sobre o inquérito nacional às empresas da Coreia, em The Herald, agosto de 2026.Fonte secundária sobre dados oficiais.abrir ↗
  53. 53
    OficialIMDA. Singapore Digital Economy Report, comunicado de outubro de 2025.Não define "adoção".abrir ↗
  54. 54
    OficialMinistério dos Assuntos Internos e Comunicações do Japão. Inquérito ao uso das comunicações, maio de 2025.Empresas com 100 ou mais trabalhadores, agosto de 2024.abrir ↗
  55. 55
    FornecedorWeinberg e Lombardo (B2B Institute, LinkedIn). The 95-5 Rule, Marketing Week, 2021.Estimativa ilustrativa com John Dawes.abrir ↗
  56. 56
    FornecedorUserGems. New Hires Signal, página de produto.Método não descrito.abrir ↗
  57. 57
    FornecedorTrustRadius e Pavilion. B2B Buying Disconnect, 2024, em MarTech Series.2.164 compradores de tecnologia.abrir ↗
  58. 58
    OficialINE, CIS 2024, em Dinheiro Vivo (Lusa), abril de 2026.Fonte secundária sobre o destaque do INE.abrir ↗
  59. 59
    AnalistaIFR. China Overtakes Germany and Japan in Robot Density, World Robotics 2024, via BusinessWire.Edição anterior, com a densidade da China em 470.abrir ↗

Um cliente não muda por causa da sua solução. Muda quando ficar como está lhe custa mais do que mudar.

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Análise n.º 2 · Outubro de 2026 · Nelson Viegas · Superior Training Technology

Exemplo ilustrativo

Diagnóstico NAPA — função de direção comercial

Baseado num relatório real. Mostra a leitura por domínio da função, não os valores numéricos completos do diagnóstico.

Estratégia de Receita & PrevisibilidadeForte
KPIs & Performance da ReceitaA consolidar
Jornada do ClienteA avaliar
Liderança Comercial & VendasA desenvolver
Liderança & EquipaA desenvolver
Orquestração de StakeholdersA desenvolver
Negociação & ParceriasA desenvolver

Os mesmos domínios, em gráfico de aranha

Nível atualExigência da função
Estratégia deReceitaKPIs &PerformanceJornada doClienteLiderançaComercialLiderança &EquipaOrquestraçãoNegociação
Diagnóstico por domínio, nível atual e exigência da função
DomínioNível atualExigência da função
Estratégia de Receita & Previsibilidade8885
KPIs & Performance da Receita6480
Jornada do Cliente5070
Liderança Comercial & Vendas3685
Liderança & Equipa3875
Orquestração de Stakeholders3480
Negociação & Parcerias3378